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Este blog é uma danação e possui a intenção de abalar irreversivelmente o seu sistema nervoso. Usando de técnicas psicológicas de violência estética e poesia, seu efeito estimulante danifica os neurotransmissores sociais e possui o mesmo impacto de uma anfetamina no metabolismo químico-cerebral de um homicida do ego. Com substâncias contrárias as utilizadas nos anestésicos de lobotomia, no Benzoato De Sódio e demais conservantes sociais, a dependência gerada a partir de sua ingestão constante, trará fortes alterações psíquicas e de comportamento. Seu aspecto diário e homeopático de insanidade, regula as euforias banais do cotidiano repressivo e a depressão consumista da pós-modernidade líquida (não podendo então ser digerido apenas como arte). Portanto, seus efeitos colaterais são de um estado neural póstumo, como seu autor e as pessoas que pensam - que ainda não estão mortas, não sendo recomendado para menores de idade, dependentes físicos e emocionais e vendedores de placebo. Não me responsabilizo pelos danos mentais, estado de “anarcocatatonia” e ejaculações multi-orgâsmicas provocadas após as exageradas overdoses poéticas.
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Esquizofrenia

Minha carcaça pesa
Pouco importa o peso sobre as pernas
São as ideias que não consigo carregar

Eu

O ácido,
A úlcera,
A aids,
O câncer

Eu sou o sonho dos homens insones...

Morte e vida

Poemas são mães
Poetas, suicidas

Na tentativa de se matarem

Naturalmente,
Inspiram outras vidas...

Carta sem remetente ou a revolução dos cravos

Mesmo que a força da natureza

As arranque com seus "el ninhos"

Mesmo que em cio de silêncio,

O ventre da terra,

As consuma em redemoinhos

Mesmo que os pássaros

Utilizem-se delas

Para construírem seus ninhos

Mesmo que se tornem enfeite

Que sirvam de tapete

Sendo pisadas em desalinho

Mesmo que o solo termine só

Para que o caule da vida resseque

Com a lâmina do tempo, por canivete,

A podar-lhe o vinho

Ou mesmo que o vento as leve,

Junto com as folhas,

Nas águas dos rios que movem moinhos

As pétalas cairão

Sem machucar os espinhos



Neste dia então,

Por sensível delicadeza,

O homem em sua insustentável leveza,

Saberá que não mais está sozinho

Como as pétalas que caem por todo caminho

Livre da solidão

Era tão solitário
Que preferia ficar sozinho no abrigo
Achava tudo tão chato
Que tentou ir por outro caminho

Permaneceu um pouco parado
E foi se enchendo de amigos
Passaram a procurá-lo
O coitado sentiu-se mais oprimido

Se trilhasse outra estrada,
Teria ele sumido?
Construindo sua própria escada
Ou morando por meses no abismo

Passaram a procurá-lo
Ele só queria ser esquecido
Seu cérebro espatifado,
Não deu nem mesmo um grito

Havia comprado uma arma
Anteontem puxou o gatilho
Não podiam mais chatiá-lo...
E enfim respirou de alívio!

Patrick Monteiro



Lá, utopia morta?

Minúsculos grãos de areia
E a vontade maiúscula
De que eles não caiam no chão...
Eletrochoque nos testículos de Trotisk
É natureza morta?

No sindicato da Contra-cultura,
Um a um, os sonhos foram roubados.
Gritemos ‘força’.
Mas quando as armas de verbo ganharam força...
A força falou:
- Mais alto!!!!
Adeus, Che!
E todos os revolucionários...
Tanto somos torturados
Que quando as palavras ganham força,
...a força continuou falando mais alto...
Não sei se o medo
Ergueu as nuvens de poeira
Ou foi o vento

Quem conduziu os minúsculos grãos de areia...
Para o outro lado?

Enquanto isso, nossas mãos calejadas,
Carregam caminhões d'água
E já não dizemos nada
Em breve...
Se a leve chuva não der descanso
O trabalho virá granito, sôfrego e pranto
De mísseis e armas, palavras e espanto
E as idéias de poeira e areia soltas, irão se solidificando
Seria mais fácil sonhar a utopia se não estivéssemos com as mãos abanando?

Patrick Monteiro

Psicologia doente do puro Sadismo

Nas mentes doentes:
O fundo do poço é só o começo.
Da fossa de Freud
Ao fosso da face de Sade:
O disfarce.
A repressão é o pretexto do impasse!
A máscara podre do acoite é a sociedade
Vivemos o carnaval do medo
Pervertida... sociedade!
Ah... delícia...
Patologias eróticas do mundo i mundo
Pós-moderno e imaturo,
Eis que meu gemido inspira o sussurro.
E aqui, puto, sois o grito...
Da esquizofrenia pulsante
Ao teso da lágrima ausente,
Chicote de gente...
Pedaço restante da carne indigente,
Somos a mente latente dos seres dementes.
Com os pés ambulantes
Assentados nas ásperas pedras do velho asfalto
Vivemos um insano instante poente.
Sinta-se intorpecente...
Banquete de gente.
Apodrecendo na mesa de cedro,
Mas só o bastante...
Pra não deixar cair o orgasmo dos olhos!
Somos líquidos?
Substratos fluidos da doce brutalidade
Mutantes...
Em overdose de regozijo e labuta
Filhos bastardos da puta
Matéria-prima nervosa das chacinas morais,
Temos que ser....
A lâmina aguda.
Da psicologia sado-masoquista.
Graças consciente prazer paranóico da nobre política...
Escre-veremos cartas pra cegos e poesias suicidas.


Patrick Monteiro