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Este blog é uma danação e possui a intenção de abalar irreversivelmente o seu sistema nervoso. Usando de técnicas psicológicas de violência estética e poesia, seu efeito estimulante danifica os neurotransmissores sociais e possui o mesmo impacto de uma anfetamina no metabolismo químico-cerebral de um homicida do ego. Com substâncias contrárias as utilizadas nos anestésicos de lobotomia, no Benzoato De Sódio e demais conservantes sociais, a dependência gerada a partir de sua ingestão constante, trará fortes alterações psíquicas e de comportamento. Seu aspecto diário e homeopático de insanidade, regula as euforias banais do cotidiano repressivo e a depressão consumista da pós-modernidade líquida (não podendo então ser digerido apenas como arte). Portanto, seus efeitos colaterais são de um estado neural póstumo, como seu autor e as pessoas que pensam - que ainda não estão mortas, não sendo recomendado para menores de idade, dependentes físicos e emocionais e vendedores de placebo. Não me responsabilizo pelos danos mentais, estado de “anarcocatatonia” e ejaculações multi-orgâsmicas provocadas após as exageradas overdoses poéticas.
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Versos Preguiçosos


Quero decorar o quarto
(Com cérebro e sangue)
Nem seria tanto esforço
Nem daria tanto trabalho
Bastava o pequeno gesto,
De certo, de apertar o gatilho

Mulheres

Vulvas,
Nem todas sujas
Limpas,
Só as prostitutas...

Quase


Tudo que tive... foi vontade
De escrever tudo que tive vontade.
De esquecer, tudo. Foi tudo vontade.
Vontade...
Foi tudo que tive
...

Patrick Monteiro

Beba das Palavras

Com as roupas sujas de lama
No silêncio podre do bairro
Seus olhos cansados dos sonhos
Escreviam por versos embriagados

Só permitia penetrar-lhe o líquido
Que descia-lhe a garganta, pelo gargalo
Por deixar escapar por entre os dedos
Tudo que lhe fora insuportável

Abraçava com força a garrafa,
Censurava facilmente os lábios
Suave, somente o papel e a caneta
Que lhe substituía a ressaca do falo

Se houvesse recanto de sede,
Que pudesse, em lágrimas, derramá-lo
O tempo não lhe diria, em prantos de mágua:
Beba das palavras (seu bebado do caralho)!

Patrick Monteiro

Preconceito Linguístico

Minha poesia... ...é tristeza
não se traduz... ...em palavras

É a metamorfo-z das letras
No idioma dos mortos.
É o equívoco sonoro
Na boca dos surdos. É um lapso obscuro...
Contido nos mágicos versos de Saramago.
Não amenizo no âmago,
O gosto amargo dos rifles da vida privada.

No máximo, minha obra é a incerteza dos fatos,
A fugacidade mundana da vida,
O tempo do ser incessante...
Elas são o cárcere das escamas e o reconhecimento falho.
Os homens-carneiros que não tiram os lobs do mundo
(Sou o poeta do fracasso e me tomei de assalto,
canetas na mão e mãos para o alto).
Se dos versos não abdico

             Bruto e concreto    desenho...
             momentos...         De pequeno pesar.


Patrick Monteiro