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Este blog é uma danação e possui a intenção de abalar irreversivelmente o seu sistema nervoso. Usando de técnicas psicológicas de violência estética e poesia, seu efeito estimulante danifica os neurotransmissores sociais e possui o mesmo impacto de uma anfetamina no metabolismo químico-cerebral de um homicida do ego. Com substâncias contrárias as utilizadas nos anestésicos de lobotomia, no Benzoato De Sódio e demais conservantes sociais, a dependência gerada a partir de sua ingestão constante, trará fortes alterações psíquicas e de comportamento. Seu aspecto diário e homeopático de insanidade, regula as euforias banais do cotidiano repressivo e a depressão consumista da pós-modernidade líquida (não podendo então ser digerido apenas como arte). Portanto, seus efeitos colaterais são de um estado neural póstumo, como seu autor e as pessoas que pensam - que ainda não estão mortas, não sendo recomendado para menores de idade, dependentes físicos e emocionais e vendedores de placebo. Não me responsabilizo pelos danos mentais, estado de “anarcocatatonia” e ejaculações multi-orgâsmicas provocadas após as exageradas overdoses poéticas.
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TROPICALISMO POLÍTICO

pequenos
PENTELHOS
se PRENDEM
na boca
DOS PELEGOS:

CHUPA ESTA MANGA!

Saneamento Básico


Por que cargas d’água
A descarga da privada 
Dos ricos
Deságua nos rios
Que desembocam em nossa casa?
Será que a merda deles
Purifica nossa água? 

A vida continua...

Em seu corpo,
A vida prolifera

Cheia de vermes,
Vírus e bactérias...

A natureza não precisa de esperma

Racisma

Brancos        ricos         são burgueses        brancos
Brancos       pobres           são mulatos         pretos
Pardos        pretos        pensam que são        brancos
Pretos        pobres           serão sempre        negros
Negros        ricos            quase ficam        brancos

Com pele clara e cabelos lisos
Racistas brancos ficam bem mais ricos
Eis as cores que ninguém quer ver

Patrick Monteiro e Ana Clara Marques

Castração

Pelo toque da língua na pele dos lábios
Pelo cheiro do gozo e bom gosto do tato
Pela doce saliva na hora do orgasmo
Pelo semem do pênis na boca dos machos

O machismo deve ser castrado

Pelo fim das Igrejas e seus cadeados
Para que todos os bispos sejam excomungados
Com um beijo azedo, nu-peito-amargo

O machismo deve ser castrado

Sem que deixe nos olhos um gosto salgado
Em nome do pai, do filho e do proprietário
Pelo cavalheirismo dos que nos enganaram

O machismo deve ser castrado

Se de tão indecentes são tão "delicados"
O machismo deve ser castrado

Pela vontade dos homens em realizá-lo
O machismo deve ser castrado

Pelos himens que os homens já estupraram
Pela porra expelida de dentro do falo
Pelo íntimo e interno-afeto do escarro

O machismo deve ser castrado

Por um gemido intenso e inenarrável
Se os cinco sentidos se completam de fato
Sem a vergonha do cio que nasce do ofato
Descobrindo a nudez nas coisas do tato
Esquecidas de canto no canto dos quartos

O machismo deve ser castrado

Pelo amor dos amantes e amores roubados
Pra que seja visível, o invisível diálogo
Por todos, os clítoris que foram cortados
Pelas dores do parto, a mais lamentável

O machismo deve ser castrado

Pra acabar com as leis e o contrato do Estado
Para que não existam mais fortes e fracos
E pelo fim do silêncio em cárcere privado

O machismo deve ser castrado

Pra que toda mulher desperte ao afago
Ao romper as fronteiras do inviolável
No bico do seio, do ventre ao braço

O machismo deve ser castrado

Para que o sexo, em fim, torne-se incontrolável
O machismo deve ser castrado

Pra que toda impotência vá pro caralho
Por este prazer tão miserável
Por todos os dias, não só 8 de março
E antes que ocorra o inevitável...

Patrick Monteiro

Tornar sobre si

Quem não sai do armário

Junto ao leito,

Carrega consigo,

Como companheiro,

Um criado-mudo
 
 
Patrick Monteiro

Negro cabelo Branco

A cor do açoite
As mãos do engenho
Aos poucos foram me alisando...
Seria banzo do ferro
Ou tintura do tempo,
Este fio de cabelo branco?

Patrick Monteiro

Guerra e Paz

Quero o conflito
Que nasce como uma força bruta
Um instinto carnal filho da puta
Como a raiva do ventre
Ou a dor nervosa de uma úlcera
Um impulso que arde no peito
Já que tudo na vida parece ter seu preço

Eu pago pela ira insolente
Que só quem ama sabe e sente
E para isso,
Tenho muitos motivos desumanos
Se metade de mim
Foi saudade do meigo,
Do cheiro de gente trepando no mato
Ou mesmo do orvalho nos espinhos da rosa
Nos frutos molhados e nas flores frondosas...

Outra parte é puro confronto
De árvore frutífera em dia de aborto
É o pelourinho, em seus velhos galhos
Onde os negros afoitos
Se encontram amarrados

Por inteiro
Eu quero a crise de toda batalha
Das mulheres que se libertaram das surras
E navalhas...

Por completo,
Quero o caos e os cortes
Por cacos de vidro barato,
Eis que quero o desequilíbrio
Com a consciência pedagógica dos oprimidos

Por dentro, quero...
O perfume bêbado dos mendigos
O sangue que pulsa nos suicídios
Em oposição a instituição dos genocídios

Eu quero a visão defeituosa
De um Paulo Freire
E o afeto sincero de um casamento gay
Que superaram os conceitos ultrapassados de família

Eu quero a morte da morte
Em nome da vida
Que de tão frágil – mente – tímida
Diante do espelho...
Burra, pensa que a paz
Só, se conquista (com dinheiro)

Patrick Monteiro

Patologia Social

A sobra da esmola que tua mão me dá,
Retornará a tua verme entranha
Como o fruto de minha indigência.

Eis o trigo que se transforma em pão
E alimenta o monstro de nossa existência.
Devora-me com o olhar fraterno
De vossa indiferença
E satisfaça o orgulho de teu ego
Com vilania da tal benevolência.

Da pena,
O amargo gosto na garganta,
Fez-se o mel que minha vida consome
No instante que me doaste as migalhas
A fim de matar-me a fome...

Reflete em tuas retinas,
O prato vazio de meu pranto.
Delicia-te com o estado faminto
E decadência de meu espanto
Sinta o prazer desta satisfação
Na ânsia de meu espírito
Pois reconheça que sem a minha presença
Tua cara causar-me-ia vômito.

Aviso-lhe:
Pulsa em meu corpo degradado
Um ódio sobre a carência,
Digerindo e defecando esta obra, na merda de seu sistema.
Da bosta que é produto de tua oferenda,
Farei semente a brotar na vasta relva
Celebrarei no âmago do seu sepulcro
Como bactérias digerido úteros

É o ódio emana como um estupro.
Mas pelo amor de Deus-pai, todo poderoso
Dai o gosto de merecer outra esmola
E poder olhar-te no rosto, pois de ti,
Nada além do desprezo, eu espero
As saborosas sobras, vindas dos restos teu reto.

Patrick Monteiro

Dionísio mata Apolo

A arte não pode ser bela...
ou esculpir estúpidas seduções estéticas.
A arte deve ser capaz de matar...
De baixo d' água,
Sufocar o observador

Deve despir-se de grife,
Amputar os braços de Afrodite,
Rasgar os ternos de guache,
Revestir as telas de graffiti...

Deve quebrar as esculturas de mármore e
E pichar as pinturas de Da Vince.

A arte deve cuspir do topo do edifício
E, ao acertar, rachar sem erro, o crânio de alguém.
A arte não deve ser bela, deve ser
....capaz de matar... Narciso de inveja.


Patrick Monteiro