Papai contava-lhe histórias
Lhe dava beijos de boa noite
E toda noite, os cavalos caiam do cavalo
Deus permanecia com os dedos fechados
Perdendo o prumo da história,
Na contra-mão de um grito:
- O universo não pode parar...
Na janela cheia de brocados
Vemos um singelo pé-de-meia
A espera de uma ilusão que não vale quanto pesa...
Quem era ela que olhava de mãos juntas
Para um crucifixo desbotado?
Assim disse Alice Caroll para mamãe:
“ - Sonhos feios assustam quando removem-se as cortinas na madrugada.
A senhora não teve medo do escuro? "
- O universo não pode parar...
Mais uma noite e luz atinge o metal num beijo
O suor se misturava a lágrima engolida
O corpo gordo, já satisfeito, veste as calças
Ela sentiu os pelos da barba no rosto
Antes da sua saída, "um novo pagamento..."
- O universo não pode parar...
No país das maravilhas de Balthus,
Nas páginas dos livros encantados,
Nos jornais do cruel cotidiano
Um beijo é um detalhe que não deseja ser só...
(Uma mera ilusão).
E o unirverso não pode parar!
Novamente amanhece,
Seus olhos cegos da ruas, estão cegos de sonhos
E seus sentidos não sentem mais nada,
Calmo no sofá, o papai assiste t.v. e revê
Os retratos de família em branco e preto
Enquanto se masturba
Eis o fim do conto de fadas...
- O universo não pode parar...
Ela era apenas uma criança assustada
Mas para papai ,ela era...
Uma prostitutazinha de beira de estrada.
Pois nos velhos quartos de velhos bordéis,
Desde a primeira noite, as estrelas foram sepultadas!
E é hora da menininha virar mulher, para ganhar um beijo de despedida
Em certas ocasiões,
Não adianta rezar...
Pois um beijo não é só uma mera ilusão
E o universo não pode parar!
Patrick Monteiro